sábado, 7 de Novembro de 2009
Choro
Não as contenhas
Liberta-as
Deixa que rolem
Livremente pela face
Como pingos de memórias
Como gotas de
Saudades do futuro
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Cidades, espaços e pessoas
As cidades crescem e transformam-se acompanhando os tempos. As marcas de cada época são visíveis a cada rua, a cada esquina, a cada praça, a cada jardim, nas descontinuidades que nos conduzem numa viagem à sua história social, política e económica.
O tempo nas nossas cidades é de acentuado crescimento e, em poucos anos, assistimos a profundas transformações nos seus núcleos históricos, ao aparecimento de novas áreas residenciais, à absorção das suas periferias, à reestruturação das acessibilidades, ao acondicionamento do trânsito viário, à criação de novos equipamentos colectivos e, inevitavelmente, à adopção de novos estilos de vida.
Às alterações produzidas no espaço edificado e a novos paradigmas do uso do território correspondem, estas quiçá menos visíveis, profundas alterações no tecido social das nossas cidades.
As transformações que se verificam são, de uma forma geral, bem aceites pelos cidadãos e pelas comunidades pois, daí advêm ganhos imediatos e correspondem a padrões de desenvolvimento urbano tidos como sinónimos de progresso e modernidade. E assim será, dependendo do conceito de desenvolvimento que está associado ao crescimento. Considero, todavia, que o actual processo evolutivo das nossas cidades está eivado de algum acriticismo dos responsáveis técnicos e dos decisores políticos e, de uma inaceitável inércia da comunidade que dá vida às cidades e aceita apaticamente soluções impostas por agendas exógenas ao interesse público.
Convém envolver as populações na construção do modelo de desenvolvimento que se pretende adoptar, importa salvaguardar a identidade das urbes sem que isso represente o contrário da sua modernização, importa atender ao futuro mais do que ao presente, importa não confundir qualidade de vida com rotundas, espaços comerciais e soluções arquitectónicas padronizadas replicadas um pouco por todo o lado.
É urgente repensar o espaço urbano. É urgente atender ao espaço rural. É urgente que a coesão social e territorial seja prioridade dos governos locais e do poder regional. É urgente o abandono da competitividade exacerbada e a adopção de modelos locais e regionais de complementaridade. A Região vale como um todo mas tem de ser mais, muito mais que o somatório das suas unidades territoriais.
Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 04 de Novembro de 2009, Angra do Heroísmo
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Relações de formação ou de servidão
Dando corpo ao descontentamento e cumprindo um compromisso eleitoral a Representação Parlamentar do PCP Açores iniciou um processo de estruturação de uma proposta de alteração aos programas “Estagiar” procurando envolver as Associações de Juventude num método de construção colectiva que respondesse às justas aspirações e reivindicações dos estagiários.
A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) apreciou, na sua reunião plenária de Outubro, a proposta de Decreto Legislativo Regional apresentada pela Representação Parlamentar do PCP que visava introduzir as necessárias alterações aos programas “Estagiar”.
O PS, o PSD e o CDS/PP reprovaram o projecto do PCP mesmo reconhecendo que há necessidade de “moralizar” os programas “Estagiar”. O principal argumento para a rejeição, pelo bloco central e respectivo apêndice, da proposta que o PCP Açores apresentou, foi a de que se pretendia transformar uma “relação de formação” numa “relação laboral”.
Para que fique claro aquilo que o PCP Açores pretendia era transformar uma “relação de servidão”, numa “relação de formação”. O PS, o PSD e o CD/PP optaram por manter, sem surpresas, os programas “Estagiar” numa “relação de servidão”.
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Aga Khan - imã dos ismaelistas
Depois de ter referido o túmulo de Aga Khan, em Assuão, Egipto, no post anterior algumas perguntas me foram colocadas. 
Deixo aqui o caminho para procurar informação sobre Aga Khan III e sobre a Fundação Aga Khan
Aga Khan III, Sultan Mahommed Shah, (1877-1957).

Aga Khan (actualmente Aga Khan IV) é o imã dos ismaelitas.
O túmulo é feito em mármore de Carrara, situa-se na margem esquerda do Nilo, em Assuão, Egipto.
domingo, 1 de Novembro de 2009
O Nilo em Assuão

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
As pessoas antes dos lucros
Quase um ano passou sobre a criação de um pacote de medidas para combate à crise e aos seus efeitos. É, portanto, tempo de se proceder a um balanço da sua eficácia.
Os dados e indicadores necessários para este balanço aí estão e são claros para todos os que os quiserem ler sem a cegueira do dogmatismo.
O grau de endividamento das empresas e das famílias, a retracção da produção e do consumo, o crescimento do desemprego, são indicadores reais e não há cenários de confiança ancorados na excitação da alta bolsista, das últimas semanas, que os disfarcem.
Os que acenam como sinal de confiança e retoma a recuperação de que se tem verificado nas principais bolsas onde se desenvolve a economia virtual, como sendo um indício infalível da ansiada recuperação da economia real, demonstram que nada aprenderam com o desastre global que vivemos, pensando provavelmente, que tudo voltará a ser como dantes, com os sectores especulativos a continuar a desbaratar a riqueza das nações por tóxicas fantasias financeiras, a troco da miséria de mais metade dos habitantes do planeta.
A verdade que temos de enfrentar é que, não só a crise não está debelada, nem controlada, nem terminada, como na verdade se aprofunda. O que temos de assumir é que muitas das medidas tomadas se revelaram completamente insuficientes.
O ritmo de destruição de emprego na Região atinge níveis alarmantes em todas as áreas de actividade, nomeadamente, nos serviços e entre os trabalhadores qualificados. O brutal aumento do desemprego e as expectativas pessimistas que, quer a União Europeia, quer a OCDE, tornaram públicas sobre a sua evolução para o ano de 2010 exigem políticas concretas, eficazes e assertivas para contrariar esta tendência negativa. Uma tendência que põe em causa qualquer pretensão de desenvolvimento harmonioso, qualquer esperança de avançarmos no caminho da tão desejada coesão social, territorial e económica.
Por outro lado, os rendimentos dos trabalhadores açorianos, apesar dos mecanismos existentes, em termos de fiscalidade e de acréscimos salariais, continuam a apresentar valores substancialmente inferiores aos dos seus congéneres continentais. A pobreza e a exclusão social são uma realidade em curva ascendente da qual, quer do ponto de vista político, quer do ponto de vista humano, não nos podemos alhear metendo, como essa magnífica ave que dá pelo nome de avestruz, a cabeça na areia.
Em tempo de discussão do Plano e do Orçamento Regional para o ano de 2010 são necessárias novas políticas de investimento que valorizem o trabalho e os trabalhadores. Políticas que coloquem as pessoas antes dos lucros.
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Viroses
Tudo gira, ao que parece, à volta das críticas que profusamente Mário Freitas tem vindo a fazer à estratégia seguida pela administração regional de saúde no combate à disseminação do vírus da gripe A(H1N1). Aparentemente porque as medidas preconizadas e as críticas feitas pelo Dr. Mário Freitas não diferem tanto assim da realidade. O diferendo tem, certamente, raízes mais profundas e a razão não assiste nem à estratégia da Secretaria Regional da Saúde nem, tão-pouco, ao Delegado de Saúde em questão pois, face à disseminação do vírus da gripe A(H1N1) contribuiu, ainda mais, para um clima alarmista. Estamos a falar de um vírus com uma elevada capacidade de contágio mas cujos efeitos letais são bem menores que o vírus da gripe sazonal.
Mal, mas mesmo mal, ficam a Directora Regional e o Secretário Regional da Saúde desautorizados, que foram, com a atitude de Carlos César quando veio censurar, com a acidez que bem se lhe conhece, o excessivo mediatismo de Mário Freitas, revelando o seu incómodo pelas críticas às suas políticas de combate ao temporão e atípico vírus gripal. Este é um comportamento recorrente do Presidente do Governo Regional. Outros casos semelhantes são do domínio público.
A autoridade que emana do Palácio de Santana é intocável e para que todos percebam quem manda, eis que o Presidente Governo Regional decidiu que o Cais de Cruzeiros da Ilha Terceira se vai situar em Angra do Heroísmo.
Assim, sem mais nem menos, num exercício autoritário do poder, decidiu: “- É em Angra.”
E pronto! Angra do Heroísmo vai ter um Cais de Cruzeiros porque Carlos César assim o entende. Porquê em Angra e não na Praia? Que fundamentos presidiram a tal decisão?
Não disponho de informação suficiente para poder ter uma opinião fundamentada sobre a localização do Cais de Cruzeiros ou mesmo se a infra-estrutura deverá ser ou não, no presente, a grande prioridade de investimento público para a Ilha Terceira, mas julgo que a decisão presidencial deveria ter sido precedida de discussão pública e de uma avaliação rigorosa quer das prioridades de investimento na Terceira, quer ainda dos impactos, num e noutro local, da implantação de uma obra desta dimensão.
Este surto de atitudes autoritárias de Carlos César, como já disse, não é novo. A virose do autoritarismo contraída em 2000, com a primeira maioria absoluta, permanece em latência. O fim do ciclo eleitoral, os resultados obtidos nas legislativas e nas autárquicas pelo PS e a distância que nos separa de 2012, terão sido os factores que favoreceram a actividade do vírus adormecido e eis que o despotismo surge naturalmente nas palavras, atitudes e decisões do Presidente do Governo Regional dos Açores.
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Fragmentos do quotidiano
Este será o primeiro de alguns “fragmentos do quotidiano” que por aqui deixarei, não interessa quantos nem por quanto tempo. Nada é imutável o que constitui um perpétuo e aliciante desafio. Semanalmente virei ao vosso encontro até que valha a pena. Valha a pena por mim, pelo prazer que a escrita e a partilha me proporcionam. E… Valha a pena por vós. Só se os textos que vos trouxer merecerem a vossa atenção valerá a pena, ainda que, … a esperança só morra comigo e a alma não seja pequena.
Sem leitores o exercício da escrita pouco significa e, se for apenas para satisfação do meu ego, então não ocuparei indevidamente espaço e tempo que não são meus. Disponho de outros suportes onde deixo que as palavras respirem e andem por aí sem grilhetas formais, trilhando os caminhos da liberdade. Outros suportes onde a momentos derramo pedaços, registos, instantes, olhares, notas à solta… Vantagens das novas tecnologias de informação e comunicação que nos permitem a auto-satisfação narcísica, mas também espaços de intervenção e formação de opinião e debate.
Aqui, neste espaço e neste suporte, mais do que ideias feitas procurarei, sem abdicar da minha opinião à qual está associada uma matriz ideológica, promover e incentivar o diálogo, a cogitação, a discussão e o contraditório. Só assim, em minha opinião (cá está ela), estes pedaços do dia-a-dia farão sentido. Fica o meu endereço de correio electrónico (anibalpires@sapo.pt) para o qual podem enviar opiniões e comentários o que muito agradeço.
Do meu círculo familiar e de amigos, do meu bairro, da minha Freguesia, da minha Cidade, da minha Região, do meu País e do Mundo, tento ter uma visão multilateral onde as diferenças devem ser respeitadas, as interacções valorizadas e os consensos procurados. Todos temos a nossa “verdade” e uma matriz cultural que nos torna diferentes, mas as pontes são sempre possíveis quando promovemos o diálogo em nome do interesse colectivo. A unilateralidade das análises é redutora, induz em erro e promove a imposição de uma “verdade” que nem sempre, quase nunca, é a que mais se aproxima da realidade e naturalmente do interesse comum.
Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 21 de Outubro de 2009, Angra do Heroísmo
domingo, 25 de Outubro de 2009
Intermitências das "águas"

O recorte intermitente dos cumes
Encanta-me.

Gosto!
Da descontinuidade
E dos espaços
Furtados à uniformidade das águas
Excitam a fantasia
Quantas utopias e gestas ali coabitaram
Quantas ilusões ali criadas e aniquiladas
Que sonhos ali jazem
Eternamente adormecidos

Que devaneios
Que sonhos
Dali partiram
Convertidos em existências
Alheias ao espaço
Das águas-furtadas

sábado, 24 de Outubro de 2009
Ainda não são as palavras
Não são ainda as palavras que por aqui ficaram prometidas.Ficam apenas estas imagens do Pico registadas hoje de manhã.

Já não era o alvorecer
O Sol espreitava no cume
A luz suave da manhã
Varria a encosta
Numa suave carícia
Iluminando o Sábado
Prometendo o dia
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Vocação autárquica
Na Região não se esperava um empate, porque matematicamente não era possível, e aguardava-se, legitimamente, equilíbrio no número de Câmaras conquistadas pelo PS e PSD. À medida que os resultados foram sendo conhecidos e de surpresa em surpresa os intervenientes foram apanhados desprevenidos perante o que se desenhava naquela noite eleitoral. Alguns nem tiveram tempo de se recompor da estranha sensação de terem saído derrotados ou vencedores desta contenda eleitoral. Quanto mais tempo para perceber como é que tinha sido possível um desenlace daqueles. Como é que foi possível? Como se justifica tamanho desaire? Ganhámos mas… como!?
Os resultados que se verificaram no que concerne à contabilidade das Presidências de Câmara ganhas e perdidas – 12 para o PS e 7 para o PSD – apanharam tudo e todos de surpresa e alguns dos resultados concelhios, com particular incidência em Vila Franca do Campo, merecem mesmo um aturado estudo e reflexão sobre o intrincado processo decisório dos eleitores.
O que terá pesado mais na decisão dos cidadãos? O projecto político? O futuro colectivo? A promessa… do que quer que seja? A oferta que pode ir da simples esferográfica, ao saco de cimento, aos blocos e à areia, aos electrodomésticos ou a garantia de um emprego para si ou para os seus, isto para não falar em toalhas de renda para a mesa de sala de jantar ou, das simples e vulgares t-shirts!?
Para além do espanto que constituiu o resultado das eleições autárquicas na Região, surpresa que vale o que vale, importante são mesmo as soberanas escolhas feitas pelos açorianos que, por mais que contrariem os objectivos e as expectativas político eleitorais, devem ser respeitados e aceites com humildade democrática, atitude que alguns actores políticos não souberam gerir, dissimulando muito mal o seu desagrado perante o desfecho eleitoral.
A líder do PSD Açores teve muitas dificuldades em assumir a derrota eleitoral e não conseguiu disfarçar a perturbação por ter ficado muito aquém daqueles que eram os seus objectivos eleitorais. Objectivos, já em si mesmo, pouco ambiciosos para quem se anuncia como alternativa ao actual poder regional.
Berta Cabral “demitiu-se” das suas responsabilidades regionais esquecendo os seus correligionários, que protagonizaram as candidaturas autárquicas do PSD e saíram derrotados, não lhes dirigindo uma palavra de alento e solidariedade. Berta Cabral não teve a nobreza de estender o manto da liderança sobre os seus esforçados dirigentes e militantes que se envolveram nesta batalha eleitoral e que não resistiram à eficaz máquina trituradora do partido/governo.
Ao assumir-se exclusivamente como autarca ganhadora em Ponta Delgada e escamoteando as suas responsabilidades enquanto líder partidária, Berta Cabral, demonstrou que a sua verdadeira vocação se situa ao nível da governação autárquica e, na retina dos açorianos, fica a imagem de que a alternativa política regional não se situa no PSD Açores, independentemente da personalidade que o lidera.
As alternativas políticas têm protagonistas mas o que lhes dá o verdadeiro suporte são os projectos políticos alternativos e, isso, o PSD também não tem.
quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Cultura mais pobre nos Açores
A Gabriela Canavilhas, para lá das divergências políticas que nos separam formulo votos de um bom desempenho no seu novo cargo.terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Desobriga
Foram as louras que apoiaram, foram as louras que não acharam graça, foram as morenas de olhos azuis que se sentiram discriminadas, foram as morenas, as ruivas, as orientais, as africanas e as sul-americanas que perguntaram: Mas para quê uma loura? E, ainda, um sem número de seres do género masculino que me criticaram por eu ter dado por falta de uma loura perante tanta beleza.
Como é que raio tiveste discernimento para, perante tal quadro e tamanha beleza, dar por falta de uma loura? Foi a pergunta mais frequente de alguns amigos que telefonicamente manifestaram a sua opinião sobre o texto que acompanha a foto do post anterior.
Todas as críticas são fundamentadas e justas e este post constitui a minha desobriga perante tudo aquilo que me foi dito, até porque já hoje visitei o blogue “E Deus Criou a Mulher” quando percebi que nas novidades havia uma Cruz e eu bem preciso de expiar o "pecado" que levantou tanta controvérsia.
Não pude deixar de ir espreitar pondo fim ao meu boicote pessoal ao “E Deus Criou a Mulher”
A foto acima é um acto de justiça. “E Deus Criou a Mulher” é um blogue plural que publica a beleza feminina sem nenhum tipo de discriminação. No caso vertente são mesmo as louras que predominam, faltando muitas outras.
domingo, 18 de Outubro de 2009
Um post pós ciclo eleitoral
Se linkaram deram conta que entraram num blogue que classifico de culto à beleza feminina, aliás não é a primeira vez que o “momentos” se socorre das imagens de “E Deus Criou a Mulher" e como os visitantes já deram conta está na lista dos meus blogues de referência. Eu como disse classifico-o como um lugar de culto à beleza feminina, outros poderão classificá-lo como muito bem entenderem. Não discuto nem me preocupa a divergência de opinião no que toca ao conteúdo do blogue a que me tenho vindo a referir.
Mas ao ver a foto não pude deixar de considerar que havia qualquer coisa de discriminatório naquela imagem.
Falta, pelo menos, uma mulher loura!
Louras! Durante uma época o paradigma da “sex-simbol”, mais recentemente alvo das anedotas mais abjectas sobre a sua inteligência humana e agora, logo aqui, afastada de um colectivo de mulheres que merecem ser contempladas até que o olhar nos doa.
Não é aceitável. Considero uma inqualificável discriminação à beleza e ao encanto das mulheres abençoadas com o dourado dos seus cabelos.
Em sinal de protesto por este acto discriminatório vou deixar, durante alguns dias (poucos), de visitar “E Deus Criou a Mulher”.
sábado, 17 de Outubro de 2009
Conquistas e retrocessos
Nada disto é novidade. Acontece desde o princípio dos tempos, é inato. É uma herança aperfeiçoada ao longo do extenso caminho da evolução.
A sociedade contemporânea é fruto da evolução natural a que me referi mas é também, e muito, resultado de construções sociais fundadas em valores, também eles em constante evolução e aperfeiçoamento, de onde deveria resultar bem-estar e qualidade de vida para todos os indivíduos. Foi à sombra destes princípios que cresci e me formei no seio da família, na escola e na vida social e colectiva. Acredito, por isso, que um dia os humanos evoluirão para comportamentos menos inatos e mais próximos das representações sociais que fazemos da humanidade.
Se tenho dúvidas? Sim, tenho muitas. Muitas incertezas e interrogações para as quais nem sempre encontro respostas plausíveis.
Há poucos dias as televisões noticiavam com a devida relevância e associação ao progresso e à evolução a abertura de agências bancárias, de um grupo financeiro nacional, aos sábados. É a adaptação às necessidades da vida moderna dir-me-ão. Eu direi que é um sinal de escravização pois se só temos tempo para ir ao banco aos Sábados e aos espaços comerciais à noite ou aos Domingos alguém subtraiu tempo ao nosso tempo.
O prolongamento e a flexibilização dos horários de trabalho, nomeadamente dos trabalhadores das agências bancárias que abrem ao público aos Sábados, contribuiu para a aceitação generalizada, como um sinal de evolução e de progresso, de horários nocturnos e aos fins de semana de sectores de actividade comercial aos quais temos de recorrer com frequência, como sejam por exemplo os hipermercados.
Quando era criança lembro-me de ficar a olhar para a Lua tentando identificar a figura de um homem que, por não ter guardado o dia de descanso semanal dedicado ao Senhor, tinha sido castigado por Deus e por Ele ali colocado eternamente para servir de exemplo aos Homens.
Já ninguém conta esta estória nem será aconselhável lembrá-la pois quem o fizer será por certo acusado de retrógrado e sabe-se lá que mais.
A valorização do trabalho e dos trabalhadores, aquisição social consolidada na segunda metade do século XX, consagrou semanas de trabalho de 5 dias e de 35/40 horas, pagamento diferenciado do trabalho nocturno e do trabalho extraordinário.
Na primeira década do Século XXI talvez não seja má ideia rebuscar os argumentos do castigo de Deus, mesmo correndo o risco de não ser compreendido, para garantir a subsistência de dias de descanso semanal para quem trabalha por conta de outrem.
segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
Não é o fado
Foi tempo de eleições. Os cidadãos, não tantos quantos seria de desejar, exerceram o seu direito de voto. Fizeram as suas escolhas na nossa empobrecida democracia. Pobre porque só apela à participação dos cidadãos em tempo de eleições. Pobre porque é mais representativa do que participativa. Pobre porque não cultiva a participação e a iniciativa popular. Pobre porque desacreditada por alternâncias de poder que nada transformam. Pobre porque descredibilizada por protagonistas que se comportam de forma bipolar, prometendo o paraíso nos jantares grátis do circo de campanha e promovendo, depois a desigualdade, a precariedade, a destruição dos serviços públicos, o desemprego, a pobreza, a exclusão.
Os cidadãos têm fortes motivos para se alhearem da participação política mas haverá, porventura, razões mais fortes para não se demitirem do exercício da sua cidadania plena. E as causas são, desde logo, a liberdade individual encarada enquanto realização colectiva do povo que somos. Liberdade que para a maioria dos portugueses está cerceada.
Temos liberdade para viajar mas quantos de nós não têm rendimento para sair para lá das fronteiras da sua própria ilha.
As prateleiras dos grandes espaços comerciais oferecem uma parafernália de produtos alimentares mas quantos de nós têm de recorrer ao banco alimentar ou ao Rendimento Social de Inserção para alimentar a família.
Temos direito à saúde mas quantos de nós não temos médico de família.
Temos direito à habitação mas quantos de nós não estamos eternamente endividados porque nos “empurraram” para a aquisição de casa própria.
Temos direito ao trabalho mas quantos de nós estamos desempregados.
Temos direito a uma renumeração justa mas quantos de nós vivem abaixo do limiar de pobreza.
Temos direito à protecção social mas são os pensionistas que engrossam os números da pobreza.
E tudo isto é fruto da política não é o infortúnio, nem o fado português, nem sequer é a crise que tudo tem desculpado.
Há outros rumos e outras políticas onde todos devem ser protagonistas na construção de um futuro diferente. Melhor!
sábado, 10 de Outubro de 2009
Dia de reflexão (3)

Aspecto de um dos muitos lagos que salpicam a floresta (Kiruna, Suécia, 2006)

Com a luz do sol da meia-noite (Kiruna, Suécia, 2006)
Dia de reflexão (2)
O vídeo vale a pena e também vale a pena abordar a obra de Naomi Klein sobre a doutrina do choque. O livro anda por aí com o título: "A Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo de Desastre"
Dia de reflexão (1)
O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe,
da farinha, da renda de casa, dos sapatos, dos remédios,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e
enche o peito de ar dizendo que odeia a política.
Não sabe, o idiota,
que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista, aldrabão,
o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
(Bertold Brecht)
sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
Tributo a Che Guevara
Fica aqui o tributo do "momentos" ao Comandante Che Guevara.
A tua memória perdura.
Hasta Siempre Comandante!
